top of page

O desafio da inteligĂȘncia artificial no Brasil: cultura, estratĂ©gia e competitividade

  • Foto do escritor: Cooperfrente
    Cooperfrente
  • 19 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura
ree

Levantamento mostra que o Brasil ainda estĂĄ em uma fase inicial de maturidade digital


Um estudo recente realizado pela TOTVS em parceria com a H2R Insights & Trends revelou um retrato preocupante, mas ao mesmo tempo cheio de oportunidades, sobre o uso da inteligĂȘncia artificial (IA) nas empresas brasileiras. 


Segundo os dados, cerca de 50% das organizaçÔes do país ainda não utilizam IA de forma estruturada. Mesmo entre aquelas que jå iniciaram algum tipo de adoção, apenas 7% conseguem medir claramente o retorno sobre o investimento (ROI). Isso demonstra que, embora o tema esteja em alta e desperte interesse, a transformação digital baseada em IA ainda é incipiente no Brasil e enfrenta desafios significativos de maturidade, cultura e estrutura.


Essa dualidade revela uma realidade nĂ­tida: de um lado, hĂĄ empresas que jĂĄ incorporam IA em processos de atendimento, automação e anĂĄlise de dados. Do outro, hĂĄ uma parcela expressiva que ainda nĂŁo deu os primeiros passos, seja por falta de conhecimento tĂ©cnico, escassez de profissionais qualificados ou ausĂȘncia de estratĂ©gia clara.


O estudo mostra tambĂ©m que muitas organizaçÔes ainda associam IA apenas a chatbots e assistentes virtuais, ignorando aplicaçÔes mais avançadas, como modelos preditivos, automação inteligente de processos, visĂŁo computacional e personalização de experiĂȘncias. Na prĂĄtica, o Brasil ainda trata a IA como uma ferramenta de apoio, e nĂŁo como um vetor central de transformação de negĂłcio.


As barreiras Ă  adoção sĂŁo diversas. A falta de profissionais capacitados Ă© apontada por mais de um terço das empresas como principal obstĂĄculo. A dificuldade de mensurar o impacto e o retorno financeiro da IA Ă© outro entrave, mencionado por cerca de 32% dos entrevistados. AlĂ©m disso, hĂĄ preocupaçÔes com segurança e privacidade de dados, em especial diante da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), e dificuldades tĂ©cnicas relacionadas Ă  integração de novas soluçÔes com sistemas legados, ainda muito comuns no ambiente corporativo nacional. Esses fatores revelam que o desafio nĂŁo Ă© apenas tecnolĂłgico, mas tambĂ©m cultural e estratĂ©gico: muitas empresas nĂŁo tĂȘm clareza sobre como a IA pode resolver problemas reais e gerar valor mensurĂĄvel.


Por outro lado, o estudo evidencia um imenso campo de oportunidade. A baixa adoção da IA significa que hĂĄ espaço para inovação, consultorias especializadas, soluçÔes acessĂ­veis para pequenas e mĂ©dias empresas, e novos modelos de negĂłcio voltados Ă  aceleração digital. Em setores como varejo, agronegĂłcio, saĂșde e serviços financeiros, a IA pode trazer ganhos expressivos de produtividade, eficiĂȘncia e personalização. Startups e fornecedores que desenvolvem soluçÔes sob medida para o contexto brasileiro, levando em conta idioma, regulação, infraestrutura e comportamento do consumidor, estĂŁo bem posicionados para capturar esse movimento de transformação.


A tendĂȘncia global mostra que a IA estĂĄ deixando de ser uma promessa e se tornando uma infraestrutura essencial, comparĂĄvel Ă  eletricidade ou Ă  internet em dĂ©cadas anteriores. PaĂ­ses que jĂĄ avançaram nessa jornada, principalmente Estados Unidos e China demonstram que empresas que adotam IA de forma estratĂ©gica obtĂȘm vantagens competitivas duradouras, seja pela automação de processos, pela melhoria da experiĂȘncia do cliente ou pela capacidade de tomar decisĂ”es baseadas em dados em tempo real.


No Brasil, o mesmo fenĂŽmeno deve ocorrer, mas com desafios prĂłprios: a desigualdade tecnolĂłgica entre grandes corporaçÔes e pequenas e mĂ©dias empresas, a lentidĂŁo na modernização de sistemas, e a necessidade de polĂ­ticas pĂșblicas e educacionais que fomentem a capacitação em IA.


Para mudar esse cenĂĄrio, Ă© fundamental que as empresas brasileiras adotem uma abordagem estruturada. O primeiro passo Ă© identificar ĂĄreas de maior potencial de impacto, onde a IA possa gerar ganhos concretos — como atendimento, vendas, logĂ­stica ou finanças. Em seguida, Ă© necessĂĄrio desenvolver projetos-piloto (MVPs) com objetivos claros, mĂ©tricas definidas e validação em pequena escala antes da expansĂŁo. A mensuração do ROI deve ser parte do processo desde o inĂ­cio, permitindo que a empresa entenda o valor gerado e aprenda com os resultados. Paralelamente, a formação de equipes multidisciplinares, combinando profissionais de tecnologia, negĂłcio e dados, Ă© essencial para garantir que a IA seja usada de forma integrada e sustentĂĄvel.


Outro ponto crĂ­tico Ă© a governança. Implementar IA exige responsabilidade, transparĂȘncia e segurança. A conformidade com a LGPD, a adoção de boas prĂĄticas de governança de dados e a preocupação com vieses algorĂ­tmicos devem ser parte do planejamento desde o inĂ­cio. AlĂ©m disso, Ă© fundamental envolver a liderança: sem patrocĂ­nio da alta gestĂŁo, a IA corre o risco de ser tratada como uma iniciativa isolada, e nĂŁo como um eixo estratĂ©gico da organização.


No contexto brasileiro, hĂĄ tambĂ©m um papel importante a ser desempenhado por instituiçÔes de ensino, aceleradoras e governos. A formação de talentos e a disseminação de conhecimento tĂ©cnico sĂŁo cruciais para que a IA se torne acessĂ­vel a um nĂșmero maior de empresas. Programas de incentivo Ă  inovação, parcerias pĂșblico-privadas e polĂ­ticas de fomento Ă  digitalização podem acelerar a curva de adoção. A divulgação deste estudo cumpre um papel relevante ao mapear a realidade atual e estimular a reflexĂŁo sobre o futuro da IA no paĂ­s.


Em sĂ­ntese, o levantamento mostra que o Brasil ainda estĂĄ em uma fase inicial de maturidade digital. A metade das empresas que ainda nĂŁo usa IA nĂŁo representa apenas um atraso tecnolĂłgico, mas tambĂ©m uma oportunidade de crescimento exponencial. Aquelas que entenderem o potencial da IA agora e se moverem de forma estratĂ©gica poderĂŁo se tornar lĂ­deres em seus setores. JĂĄ as que permanecerem inertes correm o risco de perder competitividade em um mercado cada vez mais impulsionado por dados e automação inteligente. A inteligĂȘncia artificial, quando bem aplicada, nĂŁo Ă© apenas uma ferramenta, Ă© um novo paradigma de produtividade, inovação e vantagem competitiva.


Por Rodolfo Souza

logo_transparente_cooperfrente_grande.pn

Promover o desenvolvimento econômico e social dos cooperados, atuando de forma eficiente e eficaz, valorizando os princípios cooperativistas em integração com o mercado.

© 2024 por Cooperfrente

Curta nossas Redes Sociais
  • Facebook
  • Instagram
bottom of page