Falar complicado não significa ser competente


Sabe quando você escuta algo que nunca ouviu falar, não entende, mas fica sem graça de perguntar o que a pessoa quis dizer? Todos nós já passamos por alguma situação semelhante. Eu me pego pensando sobre esses momentos e chego à conclusão de que quem perde não é o ouvinte, mas quem fala.


Se eu não consigo entregar uma mensagem para quem está do outro lado, estou criando um ruído em nossa comunicação. Qual é o sentido de, no mundo corporativo, eu excluir outras pessoas a partir de uma fala pouco acessível?!


"Comunicação é a arte de ser entendido", disse o ator e escritor inglês Peter Ustinov.


Quando eu não incluo ou confundo alguém com o meu discurso, eu elimino as chances de um debate limpo. Agir assim é uma forma de restringir conversas e de limitar a evolução da troca de ideias que, no fim das contas, poderiam levar a grandes soluções.

A "arte" do PARECER

Com cada vez mais frequência, tenho visto profissionais – que claramente não são tão experientes quanto desejam mostrar – falarem ou se comunicarem de uma forma complicada sobre tudo quanto é assunto.

Com discursos densos, mas de difícil compreensão, eles vão criando "barreiras" com seus receptores, devido às falsas demonstrações de conhecimento, já que utilizam uma linguagem complicada. O que observo nessas situações é uma vontade imensa de parecer ser algo, de buscar se aproximar de um "ideal" corporativo. Você já reparou que tem muita gente que se esconde atrás de jargões e anglicismos em sua comunicação? Que tenta parecer sofisticado ou culto falando assim? Ora, eu mesmo que tenho a oportunidade de vivenciar o mundo corporativo internacional não vejo vantagem alguma em confundir alguém por conta de idioma. Pelo contrário. Seja qual for o contexto, sinto que o primordial é ter humildade e usar a fala com responsabilidade e sabedoria.


A simplicidade é SER

A simplicidade, para mim, é uma das maiores virtudes de um grande profissional, de um líder de verdade. Quando abro mão do simples apenas para "parecer ser interessante", acabo eliminando as minhas verdadeiras chances de despertar interesse. Fica tudo na superficialidade, nada na essência. Num discurso excludente, acabo transmitindo soberba, arrogância e gero frustração em quem está tentando me compreender.

Toda vez que vamos nos comunicar, seja no trabalho ou qualquer outro contexto, precisamos saber fazer com que sejamos compreendidos. Se temos uma ideia, uma sugestão, uma solução e assim por diante, precisamos fazer com que as pessoas entendam isso.

Para tanto, além de aprender sobre estratégias de comunicação assertiva, devemos partir do princípio da escuta ativa. Quando ouvimos o que o outro diz, conseguimos entender de que forma o que dizemos foi interpretado. Ou seja, a preocupação, o zelo é muito maior com o outro, e muito menor com nós mesmos.

Perguntas simples, mas válidas são: O que você acha disso? Como isso soa para você? Qual é a sua visão sobre essa questão que eu mencionei? Quão confortável você está com relação a esse tema? A partir de uma comunicação simples – mas eficaz –, a CONVERSA vai evoluindo e, juntos, vamos criando histórias.

As histórias nos fazem evoluir

De fato, a habilidade de contar histórias foi o que fez a nossa espécie dominar o planeta. Isso é a nossa habilidade de ir construindo, tecendo narrativas e, assim, interagindo, aprendendo e socializando.

Se uma pessoa tiver mais conhecimento que a outra sobre determinada área, que ela calibre seu discurso para se fazer ser compreendida. Isso vale muito nos momentos de 1-1, quando a fala cuidadosa é um claro sinal de respeito ao outro.

Da minha simples visão, não vejo relação entre falar complicado e competência.

Penso que falar complicado não é sinal de sofisticação ou de conhecimento. Pelo contrário. Quanto mais sabemos de um assunto, melhor deveria ser a nossa capacidade de transmitir algo de uma forma que cada indivíduo entenda.

O gênio é humilde

Existem profissionais que ganham a nossa admiração por terem a habilidade de "traduzir" um tema complicado, e isso não os torna menos conhecedores ou especialistas. Existe uma famosa frase – várias vezes atribuída a Einstein, mas não consegui comprovar a autoria – que diz:

"Se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em uma árvore, ele vai gastar toda a vida acreditando que é estúpido".

Esse é um exemplo clássico de que devemos nos colocar em nossos devidos lugares e, a partir de nossas habilidades e conhecimento, transmitir mensagens compreensíveis às pessoas.

Para ensinar, é preciso ser humilde. O contrário é apenas vaidade.

Penso, assim, que falar complicado demonstra falta de empatia com as outras pessoas. Falar em jargões ou anglicismos desnecessários, como se fosse o mais natural do mundo da linguagem de todos, é um sinal clássico dos "ensimesmados".

A simplicidade da fala, para mim, além de uma virtude pessoal, é uma característica que nos ajuda na carreira.

Por Marcelo Miranda Via Administradores.com


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