Não haverá futuro do trabalho sem empreendedorismo


A pandemia de Covid-19 vai deixar marcas duradouras e profundas nas mais diferentes atividades humanas. A expansão das compras on-line, a universalização do home office, o ensino a distância em todas as faixas etárias... Essas e outras mudanças se incorporaram definitivamente ao dia a dia de pessoas e instituições. De todos os setores, um dos que sofreu as maiores transformações, sem dúvida, foi o mundo do trabalho. As restrições impostas pelo vírus e as necessárias medidas de isolamento social intensificaram as novas formas de trabalho e provocaram uma explosão do fenômeno freelancers.


Um estudo realizado no mercado norte-americano estima que já existam, naquele país, mais de 60 milhões de profissionais atuando nesse regime. Esse contingente representa cerca de um terço da mão de obra local e marca um crescimento de 22% quando comparado a 2019. Até o ano de 2030, segundo as estimativas, os profissionais freelancers devam representar nada menos que 80% de toda a força de trabalho dos Estados Unidos. No Brasil, esse fenômeno pode ser comparado à explosão no surgimento de novos Microempreendedores Individuais (MEI). De acordo com levantamento do Sebrae, somente em 2020 foi registrada a abertura de 2,6 milhões de novas empresas nesse regime de tributação. Atualmente, o país já conta com mais de 11,3 milhões de MEI ativos.


Outra transformação acelerada pelas mudanças provocadas pela pandemia foi a velocidade com que a automação se integrou aos mais diferentes setores da economia. Dados do Fórum Econômico Mundial indicam que a introdução de novas tecnologias deve extinguir cerca de 85 milhões de empregos nos próximos cinco anos em todo o mundo. Enquanto isso, no Brasil, a taxa de desocupação chega a 13,2%, da população economicamente ativa. Isso representa um universo de 13,7 milhões de pessoas desempregadas.


Nesse contexto, o grande desafio enfrentado principalmente por filósofos, economistas, educadores e gestores públicos é: como preparar nosso povo, principalmente os jovens, para esse novo mundo do trabalho?


A resposta é que não há como falar sobre o futuro do trabalho sem falar de empreendedorismo. Essas intensas transformações vividas nas últimas décadas e impulsionadas desde 2020 vão levar ao fim do emprego, tal como o conhecíamos no século XX. De modo que, em mais alguns anos, quem quiser um emprego vai ter de criá-lo através do empreendedorismo.


O Sebrae, que completa 50 anos em 2022, defende, ao longo da sua história, que o empreendedorismo é a principal forma de inserção produtiva das pessoas no mercado. O país tem atualmente cerca de 43 milhões de empreendedores, e quase 86,5 milhões de brasileiros vivem - direta ou indiretamente - graças à renda gerada pelos pequenos negócios. Esse contingente equivale à população da Alemanha e é superior ao total de habitantes da Tailândia, França, Reino Unido, Itália, África do Sul e Argentina.


O crescente interesse dos brasileiros pelo empreendedorismo tem sido constatado em pesquisas anuais realizadas pelo Sebrae. Em 2015, ser dono do próprio negócio era o quarto sonho mais almejado pela população de 18 a 64 anos. No ano passado, esse desejo já ocupava a terceira colocação, acima inclusive do sonho de construir uma carreira em uma empresa.


As mudanças que ocorreram na legislação nos últimos anos melhoraram o ambiente de negócios e facilitaram o processo de abertura de empresas, que se tornou mais rápido e desburocratizado. Não à toa o país bateu recorde, em 2021, na abertura de empreendimentos com mais de 3,9 milhões de novos pequenos negócios, um crescimento de 19,8% em relação ao ano anterior.


O físico e pensador Albert Einstein dizia que somente quando aceitamos os nossos limites é que começamos a superá-los. E o primeiro passo para isso é compreender esses limites. Nesse sentido, sabemos que ainda há muito por fazer em nosso país. Precisamos melhorar nossa posição no ranking de países que mais estimulam e promovem o empreendedorismo e temos de aumentar a competitividade das nossas empresas. Mas é importante reconhecermos e celebrarmos os avanços já conquistados, afinal, somente em 2021, mais de 3,9 milhões donos de pequenos negócios se formalizaram como Microempreendedores Invidiais (MEI), micro e pequenas empresas. Esse volume, quase 20% maior do que o ano anterior, confirma que o brasileiro está disposto, cada vez mais, a superar suas limitações e escrever uma nova história.


Por Eduardo Diogo

Via Administradores.com

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